quinta-feira, 20 de agosto de 2009

oracoes

Hoje cedo, ao levar a Laura para a escolinha observei como o tempo passou rápido. Nao muito tempo atrás (exatos 4 anos) caminhava com ela todas as noites de verao, levando-a no braco, para ver se o sono chegava (o dela, porque o meu já estava lá - coisas de mae que tem um bebezinho...). Fazíamos o mesmo caminho que, hoje em dia, faco com ela todas as manhas.
Só que hoje, ela nao vai mais no colo, vai de bicicleta, a 1000 por hora, apostando corrida comigo...Quer sempre que eu vá por um outro caminho, diferente do dela, testando assim sua independência (às vezes, ela se distrai ao encontrar um caracól e aí, quando nao a vejo aparecer na esquina, já fico em pânico e saio procurando-a).
Todos os dias ao sair de casa faco uma oracao. Ao vê-la hoje, feliz, sapeca e de capacete (aqui bicicleta, só acompanhada de capacete), fiquei emocionada e rezei para que Deus desse sempre para minha filha saúde, protecao, paz e bons amigos. É, nesta fase e nas próximas que virao, é disso que ela vai precisar. Saúde, porque esta quando falta, faz a vida perder o colorido, tudo fica cinza e a alegria da vida é substituída pela angústia. Protecao...bom, a Laura nao é hiperativa, mas é super ativa, tem sempre as idéias mais mirabolantes e precisa de um bom anjo da guarda...e também porque leio muito os jornais e fico horrorizada com o que as pessoas sao capazes de fazer com criancinhas (nao, nao é sabao). Paz, porque sem ela a vida é um inferno...Aqui é comum nas escolas algumas criancas sofrerem com xingamentos, boicotes, etc..., principalmente, as que sao diferentes (nao é o caso da Laura, mas nunca se sabe). Isso é chamado de "mobbing" e mostra como as criancas podem ser malvadas. Por último, bons amigos, porque estes sao fundamentais para manter a crianca no caminho do bem e sao pecas importantes para uma boa saúde, paz e protecao.
Deus me dando isso e permitindo que minha filha cresca feliz e equilibrada, já terá realizado todos os meus sonhos...
E você, o que anda pedindo a Deus?

colecionadora de gravetos


Saímos ontem à tarde para dar um passeio a pé aqui por perto . O entardecer estava lindo, tínhamos acabado de chegar da piscina, depois de um dia muito quente e, pra variar, mesmo depois de ter brincado muito na água, a Laura ainda estava cheia de energia. Naquele momento eu poderia ter deitado numa rede e descansado, assim como fazem os baianos o dia todo...Minhas pernas pareciam pesar 100 kg...a idade nao me permite mais abusos...Mas, se eu nao incentivar a Laura a gastar energia, chega onze da noite e ela ainda está querendo brincar de esconde-esconde com o Erwin ou dando cambalhotas no sofá.
Por isso, me fiz uma auto lavagem cerebral e me convenci de que aquela era uma ótima oportunidade de caminhar um pouco. E nao é que foi um programa muito divertido? A Laura é muito engracada, ela está numa fase que lembra muito aqueles passarinhos que pegam objetos brilhantes e levam para seu ninho (como chamam?). Tudo ela ia observando e, sempre que possível, catando e guardando numa bolsinha (por sorte tinha levado uma bolsa com chave e celular). No final da caminhada o resultado foi: 3 penas ("lindas e peludinhas, com certeza eram de passarinhos filhotes", como ela disse), 12 pedras (redondinhas como ovos de passarinho ou nos mais diferentes formatos), 4 gravetos, 7 folhas nos mais diferentes formatos e cores, 3 florzinhas murchas, um tufo peludo de uma árvore (seria uma flor seca?), 3 cascas de árvore e 2 joaninhas (que foram carregadas na mao, com o maior cuidado). Fora isso, fomos observando o trabalho das formigas, o vôo das borboletas, o desespero das abelhas atrás das flores e um ou outro bicho, que juro, nao tenho idéia do que eram. Foi uma tarde no mínimo curiosa.
Acabamos indo parar num parquinho aqui perto, mas ela nem quis ficar...estava tao empolgada com sua colecao de coisinhas, que quis voltar logo pra casa, para contabilizar os achados...E foi aí, que tivemos a idéia de fazer um enfeite para nossa mesa, afinal, o material era farto (aqui na Alemanha, nos meses frios, que mal dá para sair de casa, é comum as maes fazerem com as criancas trabalhinhos artesanais, para passar o tempo e desenvolver as habilidades manuais e motoras da crianca, envolvendo recorte, colagem, etc.)
Ajudei a Laura a montar, deixando que ela tivesse as idéias...Admito que nao ficou nenhuma obra de arte, mas nao deixa de ser algo muito especial, com bugigangas rigorosamente selecionadas (as joaninhas nao entraram na composicao do trabalho) , num momento de alegria e descontracao para nós. Mesmo que nossas próximas visitas fiquem chocadas ou nao entendam o porquê "daquela coisa" em cima da mesa, é lá mesmo que ela vai ficar, ocupando lugar de destaque na nossa sala de jantar, pelo menos até nosso próximo passeio.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Luz

Tenho muita vontade de voltar ao mercado de trabalho...nao que o tenha frequentado por muito tempo e nao que tenha, necessariamente, ótimas lembrancas, mas, às vezes, me sinto "sub-utilizada", quase "desperdicada", indo de um café para o outro com as amigas, ou de um parquinho para o outro com a Laura...
Nao é que ache esta vida ruim, pelo contrário...muitas mulheres que sao arrimo de familia (algumas amigas minhas, inclusive) e precisam trabalhar para a própria sobrevivencia e dos seus, gostariam de ter a oportunidade que tenho de curtir o filho, os amigos, a vida, sem ter a pressao de "ter" que trabalhar...O problema é que os 40 estao chegando e com ele a ansiedade de ver que "dei certo" em todos os setores da vida...Acho que chegar aos 40 deve ser um momento em que se pára para fazer um balanco do que já foi feito, do que poderia ter sido diferente.... E disso tenho um pouco de medo...tenho medo de ver que em algumas áreas da minha vida eu poderia ter optado por um outro caminho, ter tomado uma outra decisao...tenho medo porque sei que, pouco posso fazer para mudar o rumo das coisas agora...
Porém, como ainda nao cheguei aos 40, talvez tenha tempo de reparar alguma decisao errada do passado. Por isso, tenho procurado na internet um curso que eu possa fazer e que me permita, mesmo com 40, voltar a trabalhar.
Engracado que continuo sem saber o que eu gostaria de fazer (este "nao saber" me acompanhou por toda minha vida)...Quando me vejo, no entanto, procurando algo na internet, percebo que estou sempre atrás de coisas complicadas que, com certeza, nao me trariam nenhuma satisfacao em aprender...É como se tivesse um "dejavu" da época da Unicamp. Eu nao gostava do curso, era bem pesado, tinha que estudar muito, mas eu tinha uma sensacao boa de estar fazendo algo dificil, desafiador, mesmo que eu nao gostasse...Agora esta sensacao se repete...ao invés de procurar algo leve, que me alegrasse, que eu aprendesse com gosto... nao....procuro (inconscientemente) cursos complicados, que exigem conhecimentos de programas de computador, que nunca ouvi falar (alguém sabe para que serve o Linux, p.ex.? E o SAP 6.0?? Ele chegou a esta versao, sem eu nunca ter ouvido falar na versao 1.0, 2.0...?). É como se estudar e trabalhar, na minha cabeca, estivesse relacionado com sacrifício. E nao está. Só é um sacrificio quando nao é aquilo que se gosta.
Pensei em fazer, p.ex., algo relacionado à mídia, como formatacao e layout de jornais e revistas (nao sei como isso se chama no Brasil, aqui se chama Mediengestaltung). Imagino que seja legal, mas exige tanto conhecimento de computador, que nao sei se é pra mim...Nao me parece ser uma coisa leve e divertida...
Aí pensei em fazer um curso para "educadora" e, assim, poder trabalhar com criancas pequenas, nos jardins-de-infancia...O curso dura, no entanto, 4 anos!!!!!!!!! (meu Deus, aí já terei mais de 40!!!!). Nao sabia que para brincar com criancinhas tinha que aprender tanta coisa!! A idéia de fazer este curso surgiu ao ver as "tias" da escolinha da Laura. Quando eu chego com a Laura elas estao tomando café, bem felizes, e conversando sobre amenidades. Quando passo por lá, durante a manha, e vou espionar a Laura, vejo as tias ainda conversando sobre amenidades e quando vou buscar a Laura as vejo...adivinhem fazendo o quê?...conversando sobre amenidades (e ainda felizes)...É mole?? Essa vida quero para mim, agora...Será que existe no curso uma matéria chamada "Como conversar sobre amenidades"? Será que é isso que se aprende em 4 anos??
Se acontecer de eu ter uma luz e descobrir o que eu realmente quero fazer para o resto da minha vida (o que nao seria nada mal), como vou dar conta de estudar, de cuidar da Laura (daqui a 2 anos vai para a escola), de cuidar do meu marido, das amigas, da casa, do jantar, das viagens ao Brasil, do meu blog e, por último, mas nao menos importante, de mim? Será que conseguirei administrar isso tudo? (sei que muita mulher consegue, mas aí no Brasil, tem sempre uma empregada ou uma vó, tia, prima, sobrinha, irma, que pode ajudar...aqui nao tenho ninguém!!!).
Na próxima vida quero nascer com algum talento, saber desde crianca o que eu quero ser quando crescer, saber atrás do que eu estou indo e nao ficar como o Colimério (conhecem?) correndo pra lá e pra cá, sem saber onde quer chegar.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Piratas


Ontem fomos a um aniversário de uma amiga. Como o tempo nao estava bom, a festa nao pode ser num parquinho, como ela queria, já que todas suas amigas desta turma tem filhos pequenos. Acabamos indo parar num parque que é coberto e que é, usualmente, utilizado para aniversário de crianca. A idéia foi legal, todos se animaram...faz tempo que nao íamos lá (no verao ninguém se dá ao luxo de passar o dia num lugar fechado, mas pra variar estava chovendo muito e, por isso, veio bem a calhar).
Sentamos em uma cantinho aconchegante, porém muito abafado e abrimos uma garrafa de champagne para comemorar. Como a maioria estava dirigindo, a garrafa, no fim da festa, ainda estava meio cheia (viu, como sou otimista? Poderia ter dito "meio vazia"). As criancas foram brincar sozinhas e pudemos, por alguns minutos, por a conversa em dia. Mas, como diz o dito "o saci estava solto". As criancas só berraram, cada hora uma, parecendo um jogral mal ensaiado da quarta série. Era joelho ralado pra lá, dedo entortado pra cá...Foi um auê...8 criancas juntas, 8 choros diferentes, 6 maes correndo pra lá e pra cá...
Até que um dos meninos veio e me disse que a Laura estava chorando...Lá vai eu, ansiosa, procurá-la. A vi de longe, estava sentada no chao, chorando, com 2 meninos na sua frente. Achei que tivesse se machucado e os meninos a estavam consolando...Que nada!! Pestes, isso sim!! Quando cheguei até ela, ela mal conseguia falar, de tanto que chorava já estava sem fôlego...Entre uma fungada e outra só entendia meias-palavras. Juntando todas, depois de um tempinho, foi que descobri que os meninos tinham "prendido" ela lá num canto e nao queriam deixá-la sair. Eram meninos pequenos, talvez 6 e 9 anos...acho que só estavam brincando de pirata ou coisa parecida (ou eram mesmo malvados e endiabrados?)...Nao sei se também falaram alguma coisa, mas ela ficou transtornada. Briguei com eles, disse que ia chamar o pai dela que é policial (isso dá mais medo, nao?) e eles disseram que já tinham liberado ela (pode?). Saímos dali e tentei distraí-la, mas ela disse que eles estavam nos seguindo (vi um deles se escondendo quando olhei pra trás...ou pode bem ter sido impressao minha). Ela ficou o tempo todo olhando de um lado para o outro, com medo. Demorou para esquece-los...Sei que pode ter sido só uma brincadeira, mas numa dessas a crianca fica traumatizada por muito tempo (como eu fiquei ao ser constantemente perseguida pelos trombadinhas que queriam meu pao com goiabada no Grupao!).
Isso tudo me deixou um pouco triste, achei que deveria tê-la mantido sob meus olhos...Mas, as criancas todas vao brincar sozinhas, enquanto as maes tomam um cappuccino. Achei que nada poderia acontecer...E vira e mexe eu vou atrás dela, por ela ser pequenina, sei que pode levar algumas trombadas de criancas maiores. Sou até uma das maes que mais se preocupam... e, mesmo assim, bastou alguns minutos...
À noite, ela demorou para dormir, toda hora dizia que queria ir para a minha cama. Quanto perguntei o porquê, ela disse que estava com medo dos meninos...Espero que esqueca isso logo...
O fato é que senti na pele o quanto o tempo é mesmo relativo. Neste caso nao aconteceu nada de grave, mas me deixou o alerta de que a situacao pode sempre, em questao de segundos, mudar. Basta um minuto de desatencao e pronto.
O jeito é mesmo intensificar as oracoes, pois no mundo doido de hoje, onde piratas capturam mocinhas indefesas, nao tem como proteger nossos filhos 100% do tempo. Temos, sim, que ter nocao dos perigos, manter os olhos bem abertos e...rezar, rezar, rezar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Pai querido - "Navegar é preciso, viver nao é preciso"


Existem momentos que marcaram minha vida e que, vira e mexe, retornam aos meus pensamentos. Vejo uma menininha olhando ansiosa para o relógio esperando dar a hora que seu pai saia do trabalho para ir de encontro a ele. Num desses dias estava chovendo muito...A pequena nao hesitou em pegar um guarda-chuva enorme, maior que ela, e foi buscá-lo na porta do banco, onde trabalhava. Lembro-me de como ela estava orgulhosa pela idéia que teve e como ficou feliz ao revê-lo, naquela tarde escura, com os pés molhados e frios, nas ruas desertas daquela pequena cidade. Era tao bom quando vc chegava em casa depois do trabalho...
Lembro-me também de quando vc me levava para a escola, pois tinha medo de ir sozinha...Tinha uns meninos que corriam atrás de mim (até hoje nao sei o porquê! Será que queriam pegar o meu pao com goiabada??). Mas, vc estava lá, pronto para me defender e isso me deixava cheia de confianca. Nunca fui daquelas que tem vergonha dos pais...pelo contrário, para mim era sempre motivo de grande alegria poder mostrá-los aos meus amigos...Nesta mesma época, vc nos levava à noite para a cama, depois de termos dormido no chao da sala...No comeco conseguia nos levar no colo, quando já mais crescidinhos vc nos "dirigia" pelo corredor. Antes de sair do quarto olhava embaixo das camas (o que vc esperava achar?) e depois fazia um tour pelas santinhas da casa, rezando para todas elas (atrás da porta da cozinha, na sala,...).
Alguns anos depois, seus pequenos sairam de casa, criaram asas...foi cada um para um lado, estudar em outros cantos. Lembro-me tao bem o quanto eu ficava triste ao vê-lo murcho no muro de casa, se despedindo de nós, quando íamos para SP...Isso me partia o coracao...Eu ia o caminho todo com o choro preso na garganta...Vc ficava quase a semana toda sozinho... Até que resolveu ir também para junto de nós, trabalhar em SP ... e os anjos colaboraram com sua decisao.
Lembro-me de vc me ajudando com as tarefas da escola: física, química, matemática...primeiro no Bandeirantes, depois quando eu já estava na Unicamp...integral, derivada...vc sabia as fórmulas todas, o que sempre me surpreendia...E depois, já formada, me ajudava a escrever currículos, cartas de apresentacao...sua gramática era também impecável...sei que, toda vez que fazia uma entrevista de trabalho, vc vibrava e torcia para que desse certo. Poucas vezes deram certo...
E foi bom assim, pois pude conhecer um pouco mais do mundo, outros países, outros continentes...Tê-los recebido na Austrália foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Acho que só nós sabemos o quanto foi boa aquela viagem...Por mais que a gente conte e tente passar um pouco da alegria daqueles dias para os outros, ninguém imagina a magia, a beleza de cada curva da "Great Ocean Road", o mistério de cada pub, onde jogamos bilhar, a suavidade da brisa na balsa indo de Manly para Sydney...
O tempo passou... de pai dedicado, carinhoso e um pouco bravo você virou avô, babao, bobao, brincalhao...Nao de um, mas de 6 netinhos...Avô adorado, querido, admirado...Avô protetor, partidário (toma sempre o partido da Laura), paciente (com limite), presente...Avô que acompanhou a netinha na sua ida para Alemanha, nos ajudando com nossa adaptacao à nova vida.
É meu pai, poderia ficar dias aqui escrevendo sobre vc...Cada linha que escrevo, me faz lembrar de algum outro momento feliz que vivi ao seu lado. E os momentos felizes sao 1 milhao de vezes mais intensos, importantes e presentes na minha memória que outros nem tao felizes (mas que também fazem parte da vida...).
Quem me dera agora fosse um poeta e conseguisse expressar toda minha alegria por tê-lo como meu pai em rimas e versos...Mas, nao sou um poeta, por isso, vou me permitir usar um trecho de uma música de um cantor, que nao deixa de ser um poeta:

"Pai, você foi meu herói, meu bandido, hoje é mais, muito mais, que um amigo. Nem você, nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho que hoje eu sigo em paz..." Roberto Carlos

Meu pai, amo você!! Feliz Dia dos Pais!!



quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Poodle


Nos últimos meses temos uma cachorrinha em casa, um Poodle. Em um primeiro momento todos a acham meiguinha, por ser pequenina e delicada, porém é só descuidar que...ZACK...ela te morde a ponta do nariz ou te dá uma arranhada, que vc jamais esquecerá. Quando fica brava rosna pelos cantos da casa e, é só falar um pouco mais alto com ela para que ela corra atrás de vc querendo dilacerar seu calcanhar...Acho que a mistura de racas resultou em um exemplar mais bravo que o normal. Culpa, provavelmente, dos gens alemaes. Esta braveza tem nos dado certo trabalho ultimamente. Nao tem sido uma tarefa fácil treiná-la para que se mostre mais dócil...Às vezes, tem ficado de castigo em seu canto, por nao conseguir/saber controlar sua "raiva".
Esta nossa cachorrinha (perdoe-me pela Figura de Linguagem carinhosamente utilizada) chama-se LAURA. Para mim, que estou muito mais para um Labrador bonachao, carinhoso, divertido e mansinho, conviver com este Poodle tem sido uma nova experiência.
Oh, bichinho bravo, gente!! A fase em que se encontra tem nos tirado o fôlego. Se digo (na décima vez, já com um tom mais bravo): " Laura venha arrumar os seus brinquedos!!" Ela diz, no mesmo tom (na décima vez, porque as 9 primeiras vezes ela, simplesmente, ignorou o meu comando e nada respondeu): "Vc também brincou, arrume vc!!" Nossa, meu sangue sobe, dá vontade de socar. Mas, Labrador que sou, controlo meus impulsos, tento manter a pose e, caso ela, assim mesmo, nao me obedeca, aí o bicho pega. Estes atritos conseguem, muitas vezes, me fazer espumar de raiva.
Ou entao a eterna briga da televisao. Nao gosto que ela fique horas ligada (nem a televisao, nem a Laura). Vira e mexe eu digo: "Desliga agora a TV e vai brincar, senao estou indo desligá-la." Ela responde: "Ai, nao tenho sossego, nao posso descansar nem um minuto" (frase que ela, provavelmente, ouviu em algum lugar..será que sou eu que a digo?).
Sei que é mais uma fase de confronto, de testar seus limites (e os meus, principalmente), de construcao de personalidade, de novas descobertas...sei também que tenho que ter paciência, pois até mesmo um Poodle, quando bem treinado, sabe se comportar. Sei que é importante para ela encontrar o seu espaco, mesmo que isso seja a custa de nervos à flor da pele e cabelos brancos...Sei de tudo isso...E, mesmo assim, rezo para que esta fase, como outras também difíceis, passe rápido, deixando apenas bons motivos para risadas no futuro e assuntos para o meu blog.
Está na hora de buscá-la na escolinha...Nao vejo a hora. Já estou com saudades do meu Poodle.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

4 estacoes


Ufa! Achei que fosse conseguir escrever todos os dias, mesmo que fosse algo mais curto, só para dar notícias, mas tem sido tudo tao corrido que nem tive tempo. Quando o sol, que tem sido artigo raro neste verao, resolve dar as caras, nao sobra um dentro de casa, todo mundo sai ensandecido em busca de um calorzinho para a alma (por isso nao temos parado em casa). Antes achava um pouco de frescura esse negócio de que a falta de sol deixa as pessoas "down", mas considerando-se a alta taxa de suicídio nos países nórdicos, chega-se a conclusao que isso realmente pode acontecer. Nós europeus :) somos mais sensíveis às alteracoes climáticas, ou melhor, solares. Se ele está brilhando no céu, entao brilham os olhares, como um reflexo daquilo que se passa em nossas almas. Se o céu, por sua vez, fica cinzento, desta mesma cor se torna a aura das pessoas.
O que acho sempre muito interessante observar aqui na Europa é que a natureza tem as 4 estacoes bem definidas, e isso afeta diretamente a vida das pessoas.
No inverno há pouquíssima luz, os dias comecam tarde e acabam cedo, muitos entram no trabalho ainda escuro e saem quando já está escuro de novo, ou seja, ficam sem ver a luz do sol dia e noite. As pessoas ficam murchas, retraídas, hibernando em suas tocas, ou no dito popular, "cada um no seu quadrado".
Aí chega a primavera e, assim como as flores, as pessoas também desabrocham. Assim como os animais, as pessoas querem companhia, estar juntos, acasalar, comemorar. É hora de sacudir a poeira, de tirar o mofo, de ter esperancas...
O verao surge, quente, úmido, abafado, muitas vezes sem sol, mas os hormônios estao a milhao, muitas festas de rua, muitos shows, piscina, férias (se o sol nao está na Alemanha, os alemaes vao atrás dele, na Espanha, Itália, Grécia, Turquia...). Os dias sao intermináveis, às dez da noite ainda está claro...(vai tentar convencer uma crianca de 4 anos, ligada no 220V, que é hora de ir para a cama, pois está "de noite"). Assim que passa seu auge, meados de Setembro, as folhas comecam a amarelar, a avermelhar...o outono está chegando e com ele o fim da euforia. É uma época de paisagens deslumbrantes, mas com aquela sensacao de fim de festa. Assim como as folhas, as pessoas comecam a secar, a perder o vico, a amarelar...Os primeiros flocos de neve chegam, juntamente com o Natal (o que ameniza a tristeza do inicio do inverno). E assim o ciclo se repete... entra ano, sai ano...um sinal de que a vida continua...(e aqui na Alemanha continuamos torcendo para que o amigo sol sorria para nós).